PELAS ARTES, PELA CULTURA, POR NÓS...

Uma montra para as artes, o ponto de encontro de quem as aprecia.

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| Y Linh Ho |

Sapa | Os arrozais que alimentam a alma

Sapa foi uma surpresa maravilhosa.

Situada no norte do Vietnam, Sapa é uma cidade encantadora vestida com volumosas montanhas, onde em cada registo se escreve um poema.

Para além das paisagens arrebatadoras, é-nos dada a oportunidade de conhecer as minorias étnicas que vivem a poucos quilómetros do centro, aproximando-nos num formato real dos seus valores e costumes culturais.

Assim que colocámos um pé fora do autocarro, fomos abordados por um grupo de mulheres Hmong, que incansavelmente perguntaram o nosso nome, de onde somos, se vamos fazer caminhada pelas aldeias, se gostaríamos de ficar em casa delas, se queremos comprar alguma coisa, tentativas infinitas de validar os Km que fazem todos os dias ao sair das suas aldeias em busca de algum dinheiro.

Optámos por marcar uma caminhada pelas aldeias principais em grupo e tivemos a sorte de nos ser atribuído o Sing, um guia que carrega consigo um sentido de humor muito genuíno. A proposta seria conhecer três aldeias, em que o percurso é feito atravessando as montanhas, arrozais e cascatas. Um enorme desafio.

Fomos caminhando até alcançarmos uma vista superior sobre Y Linh Ho, a aldeia do Sing. Uma aldeia onde o arroz cultivado serve apenas para consumo familiar pois a carne é cara e nem sempre têm legumes suficientes.

“…se tivermos arroz, oléo e sal, somos felizes…” – (Sing)

A cada Km percorrido, queremos registar a imagem que os nossos olhos estão a ver. Impossível…esta imensidão de paisagens dramáticas só consegue ser reproduzida pela memória.

Após 5 Km chegamos a Lao Chai, aldeia Hmong, onde descobrimos a forma bizarra como se desenrolam os casamentos (ou a preparação para os mesmos).

Então:

Quando um rapaz percebe que a rapariga X é uma potencial esposa, junta-se com os amigos e provocam um rapto, no qual a rapariga fica 3 dias numa casa (separada do futuro marido). O rapaz tem que se deslocar até casa dos pais da rapariga e assumir que a raptou porque quer casar com ela, levando consigo, ” Happy Water” (álcool), um porco, uma galinha, um búfalo e ainda 10.000 Dongs. Se os pais aceitarem a união, resta-lhe cruzar os dedos e esperar que a noiva também aceite. Senão, terá que libertar a rapariga e escolher outra da aldeia.

Neste momento, começa a tornar-se musical a forma como as mulheres e crianças apelam a compra do seu artesanato:

“by for me,by for 10, I discount for you, ok?”

Em refrão e tom monocórdico, dizem-no sempre a sorrir. Mesmo quando respondemos :”no shopping”, elas dizem “yes, shopping” ou, “No, thank you”, retaliam com “yes, thank you”.

Fazem percursos diários com os turistas pelas aldeias, na esperança de conseguirem vender algo.

Ta Van, a última aldeia do dia, em que a etnia Tzay reina, difere da aldeia anterior principalmente pela sua indumentária, em que as saias Hmong são trocadas por calças tingidas por índigo. Pernoitámos numa “homestay”, onde a família local cozinhou para nós, oferecendo uma garrafa de “Happy water” para acompanhar a refeição. As circunstâncias perfeitas para uma noite de conversa e gargalhadas, sobre as histórias e aventuras que o nosso Sing tinha para partilhar.

No dia seguinte, fomos surpreendidos mais uma vez por uma tempestade que decidiu dificultar os últimos 7 Km de caminhada. A terra transformou-se em lama e as passadas assertivas, em quedas nos escorregas da natureza. Os meus quilómetros até à aldeia Chian Ta Chai (etnia Red Dao), foram muito mais fáceis do que seria de esperar com aquelas condições, pois vim sempre de mão dada com duas irmãs (uma de 15 anos e outra de 8 com metade do meu tamanho), que com uma destreza indiscutível não me deixaram cair uma única vez.

Ficámos em Sapa mais 2 dias do que queríamos, pois o tempo piorou muito, criando inundações na cidade e cortes constantes de energia. Anoitece enquanto jogamos pela milésima vez à “guerra” com este baralho vietnamita.

“Lua, traz a energia e a luz que o sol escondeu, sim?”

 

#Lilipelosudesteasiatico

 

Bibliografia

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Autor: Liliana Garcia

É com muita ansiedade embrulhada em medos, que partilho convosco esta minha pequena-grande aventura. Após muito tempo a trabalhar física e intelectualmente a um ritmo alucinante, decidi dedicar o “espaço do tempo” apenas ao meu ritmo e às minhas vontades, Partindo para uma viagem de 55 dias pelo Sudeste Asiático. Tailândia, Malásia, Indonésia, Camboja, Vietname e Laos são os países escolhidos para usufruir do que a vida terá para mim. Só sei onde começo e acabo esta minha viagem, todo o percurso até la será ao saber do vento, das pessoas, das ilhas… Sempre tive um fascínio enorme pelo Sudeste Asiático, em que no meu imaginário vivia cheio de cores e sabores... Dizem que irei ver o mais bonito por do sol. Quero criar contacto com as crianças e adultos locais…perceber se a arte, seja ela em que expressão for, chega àquelas vidas. Proporcionar sorrisos que refletem sorrisos. Um até já… Lili

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