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Quinze Bailarinos e Tempo Incerto – O minimalismo narrativo

Criar um conceito com a utilização de cenário, da luz e do som. Foi esta a proposta de e Rui Lopes Graça e João Penalva.

O tempo nesta criação dá oportunidade à exploração de diversas interpretações. É essa a ambiguidade que este “tempo incerto” reflete.

João Penalva, artista plástico português a residir em Londres há diversos anos, é bastante reconhecido pelo público português graças às suas instalações, vídeos, performances e fotografias. É com Quinze Bailarinos e tempo incerto que Penalva regressa trazendo a sua experiência para a dança. Na brochura de informação do espetáculo podemos ler que a “intenção do coreógrafo foi criar um ballet branco, onde a ausência de narrativa se abre à multiplicidade de leituras e devolve a dança ao lugar primordial”.

Um bailado sem narrativa leva-nos imediatamente a pensar em Merce Cunningham, cujo trabalho coreográfico sempre foi um grande conjunto de interrogações. As suas criações suprimiam tradições e preconceitos.Cunningham  reivindicava a ideia de dança pura.

É isso mesmo que assistimos em Quinze bailarinos e tempo incerto.

Um grupo de 15 bailarinos dançam num cenário de fundo preto que por vezes reflete os corpos dando a ilusão de um espelho de uma sala de ensaios. Os figurinos são simples maillots brancos que bastante justos aos corpos dos interpretes, revelam cada músculo em trabalho.

Os movimentos que todos os bailarinos desempenham ao longo do espetáculo são todos eles de inspiração clássica, evocando  também a dança moderna.

O tempo incerto desta coreografia detém-se com o tempo musical incerto que o espaço sonoro de David Cunningham nos oferece. A não regularidade rítmica da banda sonora, com reconhecíveis sons urbano e de fenómenos naturais por vezes ameaçadores, ou apenas familiares, não delimitam as execuções extremamente bem conseguidas de cada um dos bailarinos em palco.

Um desfilar altamente bem executado de arabesques, développés e diversas extensões que poderiam pertencer a uma aula de técnica clássica são colocados numa arbitrariedade de movimentos temporais, mas envoltos numa espécie de estrutura matemática que reconhecemos.

Tal como Merce Cunningham pretendia, a dança neste contexto musical não depende dela. Ambas têm autonomia.

O fantástico desenho de luz de Nuno Meira e do metículoso trabalho cenográfico de João Penalva fazem com que as experiências simultâneas de saídas e entradas, grupos e solos se tornem um conceito muitissimo rico e individual para cada expectador.

A narrativa corpo-espaço-tempo pode ser o conceito que melhor exprime esta criação. De acordo com palavras dos coreógrafo e cenógrafo, a “ideia de escapar à narrativa e oferecê-la aos espectadores” apela à criação de uma narrativa exclusiva.

Almudena Madonado, Andreia Mota, Inês Ferrer, Inês Moura, Isabel Valero, Leonor de Jesus, Miyu Matsui, Tatiana Grenkova, Aeden Pittendreigh, João Pedro Costa, Kilian Smith, Kilian Souc, Lourenço Ferreira, Sérgio Navarro e Tiago Coelho são os nomes dos bailarinos que devem ser enunciados, pois para além da coreografia e do cenário, são estes os quinze bailarinos que dão corpo ao tempo incerto. 

 

Bibliografia

Autor: Inês Fonseca

Licenciada em História pela Universidade Nova de Lisboa, frequenta atualmente o Mestrado em Critica, curadoria e Teoria da História de Arte na Faculdade de BelasArtes de Lisboa. Natural de Leiria, onde aos 4 anos teve a primeira experiência com a dança clássica. Frequentou durante longos anos a Escola de Dança Clara Leão. Casa do coração, onde para além do ballet, começou a frequentar aulas de dança contemporânea. Uma forte influência para as suas escolhas académicas e para a sua realização pessoal na dança.

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