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Olhar Indiscreto

“…preparei uma festa no coração 

de veias penduradas como gambiarras corpo fora 

esperei que viesses 

pedi que viesses

mas a alegria que inventei…era só um modo de ir embora.”

 

Uma porta no centro do palco.

O gesto quotidiano de entrar e sair por uma porta é transportado para cena como uma invasão a um mundo privado.

Três histórias cruzadas. Talvez mais.

As relações interpessoais são exploradas a vários níveis. A procura, a rejeição, a descoberta sexual, a compreensão e o consolo servem de mote a uma coreografia da autoria de Patrícia Henriques.

Teve a sua estreia nos dias 29 e 30 de Setembro, no Centro Cultural da Malaposta, é uma criação exclusiva da Associação WebV com parceria da CPBC (Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo).

A peça vive de gestos partilhados. Duetos e trios de bailarinos enchem o palco durante uma hora. A porta que no início está no centro do palco, agora move-se em diagonais e acolhe os corpos dos intérpretes que nela reconhecem uma forma de entrar e sair das ligações que vão (re)construindo.

O espectador é um voyeur, que da sua confortável cadeira observa as relações e as práticas íntimas daqueles que dão corpo a personagens que se debatem com descobertas internas.

“Sem um tu não pode haver um eu”.

É na tentativa de depurar, normalizar e tornar presente que Olhar Indiscreto se torna autêntico e inovador. Tendo como objetivo quebrar os tabus que a sociedade impõe, este Olhar Indiscreto é muito pouco reservado, muito pouco discreto. 

A homossexualidade, a infidelidade e a busca incessante por uma relação amorosa são temas presentes nos movimentos e experiências que se criam entre as diversas personagens.

Instantes de fragilidade são abordados com a delicadeza que só a dança sabe transmitir. A revolta e a paixão que muitas vezes caminham lado a lado, também sabem alcançar um patamar de sensibilidade que apenas à coreografa Patrícia Henriques teria a perícia e experiência para criar.

A escolha musical também merece ser mencionada. Gambiarras, tema concebido com mestria por André Barros, sublime compositor e pianista português, no qual um poema de José Luís Peixoto é declamado por Valter Hugo Mãe, integra uma das partes principais do espetáculo. Músicas de Max Richter, Ezio Bosso, Ludovico Einaudi e Òlarfur Arnalds  são também presença ao longo da peça.

Bibliografia

Autor: Inês Fonseca

Licenciada em História pela Universidade Nova de Lisboa, frequenta atualmente o Mestrado em Critica, curadoria e Teoria da História de Arte na Faculdade de BelasArtes de Lisboa. Natural de Leiria, onde aos 4 anos teve a primeira experiência com a dança clássica. Frequentou durante longos anos a Escola de Dança Clara Leão. Casa do coração, onde para além do ballet, começou a frequentar aulas de dança contemporânea. Uma forte influência para as suas escolhas académicas e para a sua realização pessoal na dança.

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