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Independence Day: Resurgence (2016)

Não é que não tenha um ou outro apontamento bom, mas este novo Dia da Independência, que aparece 20 anos depois do original caído do espaço (aos trambolhões) não tem de facto muito para oferecer. É questionável que se faça sequer uma sequela do filme de 1996, mas até podia ter resultado dado o leque (desequilibrado mas enfim) de actores aqui presente e o sentimento de nostalgia cool sempre que nos lembramos de Will Smith a dar um murro na cara de um extraterrestre, que não era feito a computador, enquanto lhe dá as boas vindas à terra. Infelizmente nesta Nova Ameaça não há nada disso.
 
Foi preciso inventar duas personagens para preencher o vazio do herói ausente do filme original, mas sem querer bajular a super estrela de Hollywood (que ultimamente só tem dado tiros no pé), Liam Hemsworth e Jessie T. Usher juntos não fazem um, ainda que Hemsworth, dentro da sua pequena escala, seja muito mais actor que Usher. E não é só isso, porque além de ser sobre invasores do outro mundo, este Dia da Independência é um verdadeiro conflito de gerações. Temos um vastíssimo, desnecessário e debilmente desenvolvido leque de personagens, entre pais e filhos do original, e ainda que Maika Monroe seja uma boa actriz iremos sempre preferir o aqui seu pai, Bill Pullman. Na verdade, muito, ou talvez todo, o pequeno charme deste Dia da Independência está nas personagens que regressam do original. Não há Will Smith, como já se sabe, mas há Bill Pullman e Jeff Goldblum para nos alegrar, entre outros, e a verdade é que bastam alguns minutos de screen-time para Goldblum, com a sua voz, fazer valer o preço do bilhete (pelo menos com promoção). A grande surpresa positiva é o senhor que está ao lado de Goldblum na imagem, o louco Dr. Okun, que não era mais que uma vil personagem de suporte no original e aqui está de regresso num papel heróico-cómico que nos faz esquecer por momentos o desvairo non-stop de efeitos especiais (quase sempre desnecessários) que são metralhados para o écran uns atrás dos outros.
 
Não se exige mais de um blockbuster do que diversão, mas aqui tudo acontece a um ritmo tão acelerado e impulsivo que não é possível alcançar interesse. E ironicamente, é nos seus poucos momentos mais calmos, como no guiar do autocarro escolar, que Dia da Independência é mais filme e menos pipoca já fria e peganhenta. Se fosse feito com inteligência, já dando de barato que o original é apenas um filme “bom”, podia ter sido possível criar aqui um thriller de acção emocionante, mas quando acabam as suas duas horas, que passam a correr tal não é a quantidade de coisas inconsequentes que acontecem, não resta outro sentimento que não a indiferença.

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Autor: David Bernardino

Advogado e crítico de cinema, amante de tudo o que diz respeito à sétima arte. Do cinema mudo ao blockbuster, da comédia ao terror, todo o cinema pode e merece ter o seu lugar. Actualmente escreve no blog de cinema pessoal The Fading Cam e, claro, no webV, já tendo passado pelo Retroprojecção ou pelo Arte-Factos.

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