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Kickboxer: Vengeance (2016)

Seria de esperar que um remake do original Kickboxer que lançou Van Damme, juntamente com Bloodsport, em 1988/89, não fosse nada de extraordinário enquanto produto cinematográfico. Na verdade esse original de 1989 também não é um filme que pretenda ser levado a sério, assumindo apenas o estatuto de culto pela sua nostalgia inserida naquele cinema americano de acção trash descomprometido que teve o seu auge algures entre 1986 e 1995 e que lançou estrelas como, além de Van Damme, Dolph Lundgren, Steven Seagal ou Wesley Snipes, e consolidou outras como Jackie Chan, Stallone, Schwarzenegger entre outros “expendables”. Com o aumento da qualidade do cinema de acção, a aposta no desenvolvimento de personagens, com novos modelos à la Jason Bourne, esses heróis pós-guerra fria foram perdendo espaço e mercado e hoje são meros símbolos de um certo cinema que teve o seu momento mas que nunca foi verdadeiramente respeitado além do seu propósito de entretenimento básico imediato.
 
Desengane-se quem ache que esses cheesy action flicks deixaram de existir. Estrelas como Van Damme, Seagal ou Lundgren continuam a fazer cinema de acção, mas agora com níveis de produção muito inferiores à sua época de ouro, de qualidade sempre duvidosa e a maioria das vezes directamente para video. Não deixa de ser algo melancólico de se assistir, estes incríveis heróis que já ninguém respeita, que todos tomam por garantidos e que rapidamente colocam de lado sempre que existe algo com melhor aspecto para ver. Curiosamente Van Damme tem dado um rumo interessante à sua carreira, jogando com o seu próprio estereótipo, como fez em JCVD em 2008, e tem feito a fazer no parco cinema de acção em que tem participado e que raramente ou nunca chega às nossas salas. A excepção foi este Kickboxer: Vengeance, que talvez pela nostalgia do título, conseguiu a imprevisível proeza de estrear em sala, e é difícil apontar o dedo à sua inevitável mediocridade quando se nota bem que existe um coração grande por detrás da sua produção.
 
O argumento, as interpretações, alguma da montagem, o interesse romântico, quase tudo é embaraçosamente fraco. O protagonista Alain Moussi não tem um avo do carisma de Van Damme, e a sua capacidade enquanto actor é particularmente má, assim como é a de todos os actores com a excepção de Van Damme e Gina Carano (o que não é dizer muito, mas enfim), no entanto, naquilo que realmente interessa, e que é o combate, a história é outra. Na realidade todos os actores de Kickboxer: Vengeance são lutadores profissionais, e dentro do ringue, quando o realizador John Stockwell filma os movimentos dos seus protagonistas, este cinema rasca vindo directamente da sarjeta, transforma-se em pedra rara em bruto, longe de ser polida pela montagem do filme, mas absoluta e brutamontes como se quer. Van Damme ainda tem na manga movimentos impressionantes e Alain Moussi é um atleta que impressiona, além da montanha de músculos do wrestling Bautista, sempre imponente e de forte presença. Curiosamente a cinematografia também tem inesperados momentos de excelência, sendo difícil perceber se isso foi fruto do acaso. Queremos pensar que não, que são realmente nesses momentos chave de combate que ela é posta em prática. Há que sorrir para Kickboxer: Vengeance, um esforço nostálgico filmicamente patético que consegue com os seus protagonistas ser um diamante bruto de movimento impressionante. Chamar-lhe irrelevante será errado.
 
Porque é bom: Os combates, todos protagonizados por lutadores profissionais, e que são aquilo que é verdadeiramente relevante; o carisma de Van Damme; alguma da cinematografia é brilhante; o sentimento de nostalgia pelo cinema de acção trash dos anos 80/90 que parece feito directamente para comer pipocas com amigos.
 
Porque é mau: Tecnicamente é patético, com montagens mal executadas, um argumento vindo directamente da sarjeta que não poupa nenhum cliché e interpretações mediocres, no fundo respeitá-lo enquanto produto de cinema sóbrio é impossível, mas mesmo esse cinema, consciente, tem o seu espaço

Bibliografia

Autor: David Bernardino

Advogado e crítico de cinema, amante de tudo o que diz respeito à sétima arte. Do cinema mudo ao blockbuster, da comédia ao terror, todo o cinema pode e merece ter o seu lugar. Actualmente escreve no blog de cinema pessoal The Fading Cam e, claro, no webV, já tendo passado pelo Retroprojecção ou pelo Arte-Factos.

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